"Segundou"
sempre muito aguardada a semana inteira.
Estávamos em férias escolares de julho ,
climas favoráveis para andar em pedregulho.
Meu pai passou a trabalhar aos domingos ,
e sua folga nas segundas, nossos dias lindos.
E se por um lado era nosso dia do silêncio ,
pelo outro era muito aguardado pelo passeio.
Minha mãe havia saído bem cedinho,
deixamos a chave no mesmo lugarzinho.
Ela ficava bem debaixo do vaso da plantinha,
local bastante conhecido por qualquer vizinha.
Essa prática era comum em toda vizinhança,
e todos eram pessoas de inteira confiança.
Íamos passear na área rural do meu bairro,
e pelo caminho dificilmente aparecia um carro.
Caminhávamos pela estrada semiasfaltada,
que contiam grandes trechos de terra batida.
Meu pai levava sua gaiola com um passarinho,
e dessa vez ele trouxe a do seu coleirinho.
Meus irmãos levavam estilingues malvados ,
os tais nunca deveriam ter sido inventados.
Passávamos entre os inúmeros arvoredos
e por vários sítios e fazendas com seus gados.
Até o discreto "peixe frito" que a gente só ouvia
dava o ar de sua graça, cantava e aparecia.
Nuvens de borboletas sobrevoavam canteiros
vistosos e imensos de hortifrutigranjeiros.
Pés de laranjas e goiabas pela estrada afora,
faziam nosso passeio extrapolar a hora.
Minha infância foi de sonhos e liberdades ,
e de uma família que deixou saudades.
A caminhada da vida tem paradas obrigatórias,
olhar para trás e ir adiante são das trajetórias.
Nilceia Herculano
Obs: meu pai tinha pássaros engaiolados que foram soltos anos antes de seu falecimento.
Por aqui e por aí ainda existe essa cultura.
Hoje em dia eu soltaria todos o pássaros das gaiolas do meu pai se eu pudesse. Também
cortaria as borrachas dos estilingues do meus irmãos.

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